sábado, 14 de junho de 2014

A BIBLIOTECÁRIA - LOGAN BELLE

RESENHA: A BIBLIOTECÁRIA - LOGAN BELLE




Título Original: The Librarian
Tradutor: Ryta Vinagre
EAN: 9788501402165
Gênero: Chick Lit (errado "erótico")
Páginas: 288
Formato: 14 X 21 cm
Editora: Record
Preço: R$ 30,00


Sinopse: A jovem Regina Finch acaba de chegar a Manhattan para trabalhar na Biblioteca Pública de Nova York. 
Mas o que parecia ser a promessa de uma rotina tranquila em meio a clássicos da literatura logo se revela um irresistível jogo de sedução quando ela conhece o envolvente Sebastian Barnes, investidor da instituição e um dos homens mais cobiçados da cidade, que fica obcecado pela beleza da bibliotecária. 
A até então ingênua Regina se entrega a um crescente e selvagem desejo que parece consumi-la mais a cada dia, uma paixão que despertará na jovem sensações jamais imaginadas. 

Sobre a Autora:
Logan Belle é o pseudônimo de Jamie Brenner. Ela trabalhou como scout, publicitária e agente literária. É autora de inúmeros romances eróticos e hoje vive em Manhattan com as duas filhas, que ainda não têm idade o suficiente para ler seus livros. A bibliotecária já foi traduzido para doze idiomas.


"O amor é um ótimo castigo para o desejo."
Anne Enright


Com essa avalanche de romances eróticos, pelo menos para mim, se tornou bastante comprometedora minha opinião, porque a sensação é daquela usual expressão “o mais do mesmo”.

Eu realmente não sei... Se as editoras estão buscando sempre a mesma narrativa que julgam conquistar o público pelo sucesso de seus antecessores ou as autoras que estão com problemas de criatividade, ou sou eu mesmo que estou saturada desse gênero literário????
São várias opções que realmente está começando a prejudicar uma opinião favorável no momento que inicio a leitura desse tipo de gênero, e realmente isso estava interferindo no inicio da leitura do livro A Bibliotecária.
Gostaria muito de escrever que o  livro é algo inovador dos outros no mercado, mas seria desonesta, mas também denomina-lo ruim, pelo contrário gostei muito da leitura, não só porque tem inicio e fim no mesmo livro, além de uma narrativa bastante adulta devido algumas questões abordadas, caso fosse escrito por outra autora poderia tornar-se um “pornô adolescente”  o que não foi o caso, e aproveitando, peço para editora que retire “chicklit” como gênero desse romance que está na página da própria editora, o livro realmente é erótico.

E para entender o que significa “bom” no qual classifiquei o livro A Bibliotecária, para facilitar resolvi categorizar os livros eróticos nos quais eu leio:

(  ) “O mais do mesmo ótimo”
(x) “O mais do mesmo bom”
(  ) “O mais do mesmo ruim”
(  ) “O mais do mesmo abandonei”

Apesar da brincadeira, a Bibliotecária é o “mais do mesmo bom”, uma narrativa madura, objetiva, romântica, muito sensual e tem um diferencial interessante.

Regina Finch é uma bibliotecária que está prestes a realizar um grande sonho trabalhar na Biblioteca Pública de Nova York, com expectativa de trabalhar na área de arquivos, porém ao chegar na Biblioteca a chefe dele Sloan que está no cargo não por mérito e sim por causa de uma família influente a coloca na área de retiradas para grande decepção de Regina.


Apesar dessa primeira decepção, Regina está feliz por estar longe da sua sufocante mãe, que por causa do falecimento prematuro do marido, viu em Regina um meio de realizar todas suas ambições frustradas, vimos que Regina foi uma pessoa tão dominada pela mãe, que ela perdeu de viver, de se divertir porque o mais importante eram suas ambições profissionais o resto não era essencial, e realmente a ida a Nova York foi libertadora em vários sentidos.
“- Vocês dois pareciam felizes, mãe – rebateu, melancolicamente.- Até ele me abandonar.- Ele não abandonou você. Ele morreu. Francamente.- O resultado é o mesmo, Regina. Só estou tentando dizer que precisa controlar sua própria vida. Está revirando os olhos para mim agora, mas vai me agradecer depois. Não perca o foco.”

E por isso citado acima, a personagem é virgem, realmente quando li esse detalhe quase desisto da leitura, mas como informei anteriormente a autora soube justificar o motivo, e ao mesmo tempo não ficar supervalorizando ou dramatizando a situação, a personagem é bem resolvida, tem anseios como qualquer mulher por sua experiência sexual, e mesmo ainda não ter tido sabe se dar prazer, ou seja,  a autora foi bem adulta na abordagem.


A nova vida em Nova York não será apenas de libertação da mãe ou objetivos profissionais realizados, acima de tudo sua vida sentimental e sexual até o momento inexistente irá sofrer uma transformação, que tem o nome de Sebastian Barnes, um investidor da biblioteca, com aqueles atributos conhecidos, rico, bonito, sensual que irá iniciar um jogo de sedução que irá abalar a vida regrada de Regina.


Sebastian Barnes pode ter a mulher que quiser nas mãos, além de todos os atributos acima ele é fotógrafo de moda, vivi cercado de beldades. O primeiro encontro entre ele e Regina é bastante constrangedor, na realidade para ela, porque para ele foi que despertou seu desejo por ela, e como um bom dominador e apreciador da prática de BDSM, e a aparência peculiar de Regina o atrai imensamente.
"- Posso lhe dizer uma coisa? – indagou ele. Algo em sua voz e no modo como seu olhar passou dos olhos para os lábios de Regina deixou-a com o corpo tenso.- Sim – sussurrou.- Eu penso em trepar com você na biblioteca.O sangue tomou seu rosto. Ela baixou os olhos para a mesa. E então, entre as pernas, sentiu uma pulsação apavorante de desejo."

A aparência da personagem Regina e no que a autora se baseia para criar a história em torno da personagem que é um dos grandes diferenciais do livro.

Regina tem cabelos negros, com franja e olhos incrivelmente azuis, essas características são semelhantes a uma famosa modelo da década de 60, Bettie Page (ver mais em Curiosidades no final da resenha), famosa por suas poses sensuais, intitulada Pin-up (ver mais em Curiosidades), mas as suas fotografias mais escandalosas ficaram por conta do estilo bondage na qual tornou um ícone na época e ainda hoje.


Então Regina tornou-se uma verdadeira obsessão por Sebastian Barnes, ao mesmo tempo o jogo sexual no qual ele a envolve, começa a libertar Regina do meu mundo perfeito e organizando, levando ela se conhecer e desprender-se de suas inibições.


Por outro lado, o jeito delicado, decidido e equilibrado de Regina influência e conquista Barnes, e devido alguns contratempos na sua adolescência, nada tão traumatizante como alguns personagens que existem por aí, mas que influenciou na maneira que ele conduziu a sua vida e suas relações até conhecer Regina.



Quase todas as cenas sexuais do livro envolve bondage, mas nada que não tenhamos lido por aí, talvez melhor escrito com toda certeza, Logan Belle sabe como escrever esse tipo de cenas, ela não as romantiza e sim descreve de forma crua, mas sem causar muito desconforto ao leitor, para mim pelo menos foi tranquilo.

Outro aspecto foi a relação dos personagens principais com personagens secundários, teve alguns que ganharam destaque, cito a companheira de apartamento, Carly Ronak, o oposto de Regina, já que cada dia está com alguém diferente, mesmo tendo “namorado fixo”, completamente extrovertida, adora sair para noite, é rica mas vive num apartamento longe do pai para mostrar “independência”, mas é interessante é a dinâmica entre as duas, apesar de morar no mesmo apartamento elas não tinha um relação de amizade, mas no momento que Regina começa a “viver” elas acabam se relacionando melhor, acho que tem um momento que define bem a relação.
“(...) – Digamos que, de certa forma, tenha sido um pouco culpa sua. Você tentaria consertar ou só deixaria para lá e diria que não era para ser?- Antes de mais nada, não existe “não era para ser”. Existe “faça acontecer”. Isso ajuda?Regina assentiu. Talvez estivesse ficando louca, mas o que Carly falava estava começando a fazer sentido. Ela até parecia – ousou pensar – sensata. Como uma Yoda loura e piranhuda.A campainha tocou.- Derek está vindo? – perguntou Regina.Carly a olhou como se ela tivesse sugerido que o Papai Noel faria uma visita.- Eu já te disse que Derek era só um estepe até eu conseguir Rob. Sem Rob, não há necessidade de Derek.Isso não fazia o menor sentido para Regina. Lá se foi Yoda.”

Concluindo, o livro é bom, a intenção proposta da autora foi realmente desenvolvida, pode como falar não ser nada inovador na relação casal, mas Logan Belle que no caso é pseudônimo de Jamie Brenner inovou em trazer esse elemento da modelo Bettie Page.
Todos os meios que a autora utilizar para associar a modelo e a personagem de Regina, além de influenciar bastante na mudança da personagem no decorrer da leitura, foi bastante consistentes e interessantes a leitura.


A Bibliotecária pode ser um “mais do mesmo”, mas tem uma escrita equilibrada e objetiva, personagens sólidos e desenvolvidos de acordo com o contexto, nada tão profundo, pelo contrário bem despretensiosos, mas sinceramente gostei muito da leitura, é um dos bons eróticos do mercado.



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